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  Eduardo Favaretto  |  15/04/2009  às 15h55
* Empreendedor, Especialista em Internet
O poder do Google e os mecanismos de buscas

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O que você acha do atual poder do Google como ferramenta de busca?
Confira minhas impressões na entrevista concedida ao jornalista Rodrigo Vilas Bôas do Carderno Digital do jornal "A Tarde" de Salvador (BA), em 11/02/2009.

Rodrigo: Aqui é Rodrigo do jornal "A Tarde" de Salvador.

Favaretto: Como vai Rodrigo?

Rodrigo: Tudo ótimo.

Favaretto: Tudo bem também graças a Deus.

Rodrigo: Tá podendo falar agora?

Favaretto: Vamos falar.

Rodrigo: Então vamos lá. Eu estou fazendo uma matéria, a matéria de capa de semana que vem do caderno, é... da importância que o GOOGLE se tornou hoje, de quão importante o GOOGLE se tornou nos dias atuais, para os usuários.

Favaretto: Ok.

Rodrigo: Diz que hoje inclusive, tem como a página principal ao abrir o Explorer o GOOGLE. Já faz parte da rotina da pessoa utilizar o GOOGLE durante a maior parte dos dias.

Favaretto: Perfeito.

Rodrigo: Então assim, eu queria conversar com você sobre... falar sobre os buscadores hoje né, o que é que o buscador precisa ser pra se tornar tão importante e que ajude da melhor forma possível as pessoas a fazerem suas buscas?

Favaretto: Perfeito Rodrigo, eu gostaria do primeiro ponto a destacar neste assunto é essa informação que você disse, que as pessoas usam o GOOGLE já como página principal.

Esse acho que é o maior desafio de qualquer empresa, mesmo as empresas grandes de serviço de buscas junto aos usuários, que é: "fazer com que o usuário pelo menos experimente outro tipo de buscador". E eu não estou falando de empresas pequenas, estou falando aí do Yahoo, da Microsoft, tô falando da ASK, por exemplo. Então este é um grande desafio... a Microsoft não consegue mobilizar, ou pelo menos essas empresas maiores, um grupo grande de usuários que troquem a plataforma do GOOGLE pela plataforma deles. Esse é o grande desafio, ao meu entender, preliminar. O que é possível melhorar disso tudo... a gente tem o padrão GOOGLE como sendo um sinônimo de facilidade de... pelo menos uma tela muito limpa, a informação chega até você ali em poucos instantes, sem ter que passar por vários blocos, ou cadastramento, ou até mesmo banners... enfim, é um ambiente muito "menos poluído" que grandes portais que tem sistema de busca.

Eu acho que esse é um dos principais pontos: melhorar a questão da interface com o usuário. O GOOGLE ele se tornou um padrão, mas, ele não tem a melhor interface - ele tem uma interface limpa. Só que... por exemplo, se você identificar alguns pontos... o sistema de navegação dele de avançar links... você ali tem que ficar praticando o "equilíbrio de pixels", né... pra poder acertar ali: número 1, número 2, página tal... Ali poderia ser melhorado, isso é uma das situações que eu percebo nele mesmo, no próprio GOOGLE, quesitos nesse sentido.
Eu não sei se você sabe, mas, o GOOGLE ele limita, assim como outros buscadores, em até 1000 resultados. Se a sua página for a 1001, você não vai aparecer e sequer alguém vai conseguir achá-lo. Então por mais que exista algoritmos matemáticos que sugiram "olha... sua página não é tão boa quanto as primeiras 1000 que eu estou te mostrando", isso não deveria ser bloqueado, não deveria ser simplesmente esquecido. Então, partindo por esses caminhos ao meu entender são as melhorias básicas.

Agora, eu aposto muito na questão da especialização, de um serviço de busca, um mecanismo de busca temático, com foco em conteúdo específico de acordo com a necessidade do usuário. Eu acho que essa é uma premissa muito grande. O usuário ele tem que ter as suas necessidades atendidas, necessariamente não adianta você ter um buscador mais veloz, o que tenha um banco de dados maior, ou que tenha uma interface bonita, só que se você não atender o que o usuário quer, não adianta. Se você não der a resposta mais precisa, se você não der aquilo que ele precisa efetivamente encontrar, não vai ser interessante, a experiência do usuário fica muito pobre.

Nesse caminho, por exemplo, citar um exemplo, existe um buscador chamado Truveo (www.truveo.com) que ele faz buscas em várias fontes de vídeos. Então, ele não só procura no Youtube, em sites específicos de algum grande player, mas, em vários outros, evidente, sempre com conteúdo legal ou que esteja licenciado para e ali você tem uma experiência rica do usuário que tem interesse em achar vídeos e ele tem essa consulta em vários ambientes. E uma outra situação que eu venho percebendo é... não é só o mecanismo de busca que vai atender o usuário em achar informação mais. Serviços especializados que acabam tendo uma ferramenta de busca dentro deste ambiente especializado, ele pode atender o usuário ou até mesmo uma entidade ou uma empresa em determinado segmento. Por exemplo: não sei se você conhece o SlideShare (www.slideshare.net)?

Rodrigo: Não.

Favaretto: O Slideshare (www.slideshare.net), se você entrar... ele é um ambiente em que pessoas fazem o upload de apresentações. Então, imagina que você é professor, fez uma aula, quer deixar isso disponível não só para os seus alunos como pra comunidade toda, você cria uma conta gratuita no SlideShare e "sobe" essa sua aula, essa sua apresentação no PowerPoint por exemplo. Se você é um palestrante, idem. Em vez de você falar, "olha ,manda um e-mail pra tal endereço que eu envio a palestra pra você no final do evento", pra um grupo de pessoas, você diz: "ó meu endereço no SlideShare é esse aqui." E lá não só está aquela palestra que você deu num determinado dia, como está o acervo todo de suas palestras ao longo do seu período de palestrante. E esse mecanismo ele se torna um repositório de material colaborativo que pode ser facilmente localizado por palavras-chaves e vai atender muito mais o usuário, ao invés de você procurar uma palestra ou uma apresentação, ou material nesse sentido, num buscador generalista como o GOOGLE, por exemplo. Então Slideshare pra esse tipo de situação é ótimo. Eu não sei se você usa o TWITTER?

Rodrigo: Não, não uso não.

Favaretto: Tá, mas já ouviu falar no TWITTER?

Rodrigo: Já, já.

Favaretto: Então, o TWITTER ele é um nanoblog ou um microblogging... na realidade as pessoas colocam até 140 caracteres numa mensagem, disparam pro TWITTER, tem a rede de seguidores e todo este conceito está embutido ali. Só que quase ninguém conhece ou ninguém sabe que existe o buscador do TWITTER.

Rodrigo: Poucas pessoas ainda conhecem o TWITTER, já fiz até matéria sobre isso, poucas pessoas ainda conhecem.

Favaretto: É ele começou a ser bem falado o ano passado, talvez este ano aumente bastante o número de usuários. Ele tem um sistema de buscas, se você procurar search.TWITTER.com (search.twitter.com), você cai no serviço de busca dele que é fantástico! Ele rastreia conversas em tempo real. Então, se está tendo algum evento numa cidade e você sabe que ali tem um grupo de "twitteiros", o pessoal que trabalha constantemente com tecnologia, vai estar reportando alguma coisa pelo TWITTER. Por ali você já consulta em tempo real o que está sendo falado daquele evento, daquele tipo de situação.

Então assim, serviço de busca, ao meu entender ele vai "sair" dessa campânula, desse ambiente exclusivo de grandes empresas e vai se tornar nicho. Vai ter foco em empresas menores que tenham a especialização do conteúdo.
Isso acho que é um dos primeiros pontos aí pra pensar como tendência. E uma outra situação é que vem ao passar dos meses aí, anos, avançando também, que é a idéia de se trocar a busca por "palavra chave" por "sentenças". Você fazer um ambiente muito mais eficiente, eu diria específico até mesmo, procurando por sentenças. Em linhas gerais se você hoje: "ah, eu quero passar o carnaval em Salvador e estou procurando um hotel"... se você entrar no GOOGLE e colocar lá... "hotel Salvador"... você vai "chorar" (rsrsrs) de tanta coisa que você vai ter que vasculhar. Então hoje, não existe uma solução dessa, mas, é possível prever para os próximos anos, buscadores que utilizam base de dados de entidades que tenha totalizado ou congregado hotéis, com todas as definições precisas, do que tem no hotel... Então, olha se tem quarto pra menor de idade, se aceita criança, valores de diária, se tem acesso a rede Internet no quarto, se é próximo de praia ou é afastado da praia... enfim, todas estas definições você imaginar num banco de dados, você pode criar sentenças, você pode criar perguntas curtas e a pessoa vai especificando cada vez mais o que ela quer. Então olha, eu quero ir pra Salvador... quero ficar X dias, eu quero uma diária abaixo de R$ 1.000, eu vou levar meus filhos, eu vou passar dois dias trabalhando, então eu preciso de Internet no quarto e com isso você vai refinando e a partir daí chega-se a um resultado essa sua busca muito mais precisa.
Então você vai ter que ligar para cinco lugares por exemplo, para tirar suas últimas dúvidas por exemplo ou passar isso para o seu operador de turismo que vai cuidar disso pra você. Então é, a tendência disto acontecer é latente e é necessário até mesmo. Agora, tudo isso vem envolvido com várias tecnologias desde uma simples integração no banco de dados até mesmo a questão da Web Semântica que é defendida aí por vários estudiosos, dentre eles, o Tim Bernes-Lee, não se você conhece?

Rodrigo: Conheço.

Favaretto: Esteve recentemente aí no Campus Party aqui em São Paulo. Ele foi o criador o "pai da Web" em si, o que fez o primeiro acesso web em 1990. Então, assim a semântica ela vai trabalhar muito mais com a questão da interoperabilidade destes dados. Estes dados podem ser trocados ou podem ser comunicados entre sistemas... e esse é um ponto que o serviço de busca vai chegar com a essência muito grande pra reverter pra vida prática do usuário.

Rodrigo: Eu acho que... eu tenho essa sensação... que as pessoas também não sabem fazer pesquisa em site de buscas. Acho que até pelo próprio GOOGLE hoje as pessoas ainda falham muito pra pesquisar, pra refinar mesmo a sua busca.

Favaretto: É... aquela opção "pesquisa avançada", um número muito baixo de usuários que chega até ela. Primeiro ponto é, ninguém tem mais tempo para nada (rsrsrs)... no momento em que você senta na frente de um computador pra fazer algum tipo de consulta você quer resposta de imediato. Você quer, assim, tentar encurtar o caminho ao máximo. Chegar até a "busca avançada" é pra quem tem mais paciência e quem tem interesse ali de peneirar alguma coisa a mais. Só que mesmo assim, a busca avançada pra um sistema generalista como o do GOOGLE, ela não ajuda tanto... Ela pode refinar algo, mas, ela não vai te dar uma solução, assim, de 70-80% do problema. Ela ajuda talvez mais 10 ou 20%.

Rodrigo: Qual seria hoje assim os buscadores que estão mais... tem um Gospel, um buscador jurídico, um buscador interessante... São os buscadores especializados... a tendência seria essa? Eu falo assim... porque existe um medo de o GOOGLE se tornar...continuar monopolizando a Internet né? E existe este risco na verdade. Então, assim, O que deveria ser feito pra que isto não continuasse acontecendo?

Favaretto: Olha, esta pergunta é muito difícil de ser respondida.
Eu posso te dar um paralelo com relação com a aquilo que a gente já vivenciou nos últimos, sei lá, 15 anos, 20 anos talvez, com relação ao desktop (computador pessoal). Então, se você pegar o Windows, se não me engano nasceu em 1980 ou 81... a Microsoft tem essa soberania no desktop. Apareceu o Linux com a comunidade trabalhando... foi tendo muitos valores agregados, muitas entidades de renome também adotaram o software livre e, enfim, se você soma, soma, soma a Microsoft ainda está perdurando. A questão hoje é: não é simples virar esse jogo. Não é simples um buscador chegar e falar: "eu ou tirar da cabeça de todas as pessoas o nome GOOGLE e vou colocar um outro nome", ou, "olha sem o GOOGLE a gente não sobrevive". Não, isso é mentira. O GOOGLE ajuda muito, sem o GOOGLE você vai achar outros meios de achar informações. Se hoje você faz uma busca no GOOGLE e ela é de graça... a grande massa de usuários não paga nada. Você vai em qualquer outro buscador você também não paga nada. Mas vamos dizer que a partir de hoje Rodrigo, eu sou do GOOGLE e ligo pra você e falo "Rodrigo, todas as buscas que você fizer a partir de hoje, eu vou te cobrar R$ 0,10 por cada uma, pode ser?"

Rodrigo: Não...

Favaretto: Rsrsrs. Poxa Rodrigo, mas só 10 centavos e você não quer? Me ajudar pagar aqui pra eu crescer o GOOGLE? Ou aumentar (estrutura), ou fazer alguma outra coisa? rsrsrs.

Então você respondeu instantaneamente: "10 centavos você não está disposto a pagar". E seu falar "1 centavo", você vai falar "não pago". A questão é "zero" é diferente de 001. Então esse é o primeiro ponto: por que o GOOGLE não cobra? Porque imediatamente os usuários vão sair do seu ambiente e vão pra outro ambiente. Então isso já está inscrito no serviço de mecanismo de busca, eu diria, de uma forma geral na Internet a gratuidade é o modelo disponível para os usuários. Este primeiro impacto de cobrar 1 centavo, você já não aceitou, qualquer outro tipo de impacto similar, você também não vai aceitar e você vai procurar outras alternativas. Hoje, essa parte do acesso ao GOOGLE ela está cômoda. Então, todos já se acomodaram, é mais fácil digitar GOOGLE do que "pensar" em algum outro nome. Só que assim, isso não faz bem pra ninguém... é um bem muito "canalizado"... e tudo o que é muito focado para um único nome, não é bom. A solução pra isso é o máximo possível de empresas tentar investir nesse segmento... que não é um segmento simples. Eu to atuando com serviços nesse gênero desde 1999, e a gente tem um serviço pra ser lançado... e, toma tempo constantemente pra qualquer tipo de implementações... você cai em diversas novas modalidades de adaptações que você tem que fazer, pra o mercado poder também aceitar o teu serviço novo e o usuário ele também esta ficando muito, muito, muito exigente.

Então assim, o Yahoo, se ele tropeçar um pouco mais ele perde mais usuários. Fez algumas coisas não deu certo... a Microsoft tentou adquiri-lo e também não deu certo a aquisição... e ficou essa coisa que se estendeu. O usuário tem um pouco de aversão da Microsoft também na Internet, que já tem a empresa como "sócia" do desktop (rsrsrs)... não tem como deixar de usar o Windows, o sistema operacional principal... Então o usuário, acho que na cabeça da maioria ele também não quer dar essa oportunidade pra (usar o buscador) Microsoft. E assim vai...

Então o GOOGLE aproveita um momento que não tem outro concorrente a altura que possa chegar a isso. E eu vou dizer... se tiver empresas que crescem e que tenham habilidades para avançar para esse lado, tudo indica que elas vão ser adquiridas pelo próprio GOOGLE. Então, hoje tem uma empresa chamada PowerSet (www.powerset.com), que fez um buscador que diz eles, que já usa conteúdo semântico. E aí, teve investidores "de peso" que entraram nesse negócio, teve tecnologia que foi desenvolvida pela Xerox (Palo Alto), lá na Califórnia com mais de 30 anos, de reconhecimento de caracteres, com reconhecimento de relações, como se fosse uma "inteligência artificial". Isso tudo está em prática, se você entra no buscador que você utiliza, você percebe que a "experiência do usuário" não é tão boa quanto você utilizar o GOOGLE ou outro buscador alternativo.

Esta discussão vai longe Rodrigo... rsrsrs, não é uma coisa intuitiva... o que tem que ser feita pra acabar com a hegemonia ou monopólio do GOOGLE é uma longa discussão. Eu ainda acho que por intermédio de muitas empresas e especialmente segmentadas, você passa a ter uma diluição disso, mas, desde que você consiga que o seu usuário ou que o público pelo menos teste uma vez e goste bastante do que você está apresentando.

Rodrigo: Porque será que as pessoas não conseguem né...parar de usar tanto o GOOGLE, assim? Eu entrevistei várias pessoas e muitas delas tem como sua página principal na Internet, quando abrem o GOOGLE.

Favaretto: Sim.

Rodrigo: E quando eu pergunto... e se você não usasse o GOOGLE, se o GOOGLE deixasse de existir, qual seria o outro buscador? Teve gente que não soube responder. Então porque será isso? A cultura que se criou de se usar o GOOGLE, sobretudo aqui no Brasil?

Favaretto: Olha se...eu não sei quanto tempo você tem na área de tecnologia... Eu estou desde 1987. Nos primeiros anos da Internet aqui no Brasil, começou comercialmente 1995, você tinha um grande serviço de busca que era o CADÊ.

Rodrigo: Isso.

Favaretto: E o CADÊ na época tinha em torno de 100 a 120 mil "links" nacionais. Então, você pára pra pensar... naquela época, 1996, 1997, se você falasse, "Que sistema de busca você utiliza no Brasil?" Todo mundo ou a grande maioria falaria: CADÊ. O CADÊ foi adquirido na época pelo Yahoo!, que tornou uma ferramenta complementar deles... e o GOOGLE em 1998 começou a existir propriamente dito. Até antes disso, ainda estava dentro da universidade. E aos poucos a experiência do usuário foi resolvida. Não sei se você recorda o CADÊ, ele cadastrava seu site baseado em alguns campos. Essa informação era verificada manualmente pelos chamados "surfers", pelas pessoas habilitadas a cadastrar site dentro do CADÊ. Então, eles olhavam e falavam "ah esse site é bom, é ruim, dá pra ser encaixado nessa categoria e vamos deixá-lo ali".
Enquanto o CADÊ fazia sei lá, 200 sites por dia, 500 sites por dia enfim, com as pessoas lá fazendo esse tipo de coisa, o GOOGLE tinha o seu spider, o seu robô buscando informação automaticamente em dezenas de milhares de sites.
Então a base de dados do GOOGLE começou a ficar muito maior que a do CADÊ. Então, chegou um determinado momento que aconteceu a "virada". Então você procurava informações no CADÊ, você achava no Brasil, tudo bem, segmentado, mas um número muito, muito pequeno e quase sempre desatualizado. Não havia tempo o suficiente aí, manualmente o pessoal que cuidava disso, os administradores, ativar e otimizar esse banco de dados. Então, eu acho que foi isso... aos poucos o nome CADÊ foi desaparecendo, o próprio Yahoo! não quis, talvez, manter fortemente essa marca aqui no Brasil, se tivesse mantido com bastante rigor, ao meu entender ele poderia ter permanecido. Por exemplo, na China tem um site de busca que se chama Baidu (www.baidu.com). E o Baidu é mais conhecido, mais usado que o próprio GOOGLE. Só que tudo bem, na China tem outros quesitos né? Você tem a questão da língua, que é a dificuldade dos ideogramas, e até "entender" propriamente dito como funcionam as políticas no País. Então, o GOOGLE tropeçou um pouco nesse tipo de ambiente e ele não tem a primeira colocação lá.

Então eu ainda acho que esse é o caminho... se existirem trabalhos segmentados que demonstre competência maior ou foco maior na localização, na segmentação... Acho que a localização é outra coisa muito importante. Se você tem um serviço que te atende, desde seu bairro, desde a sua rua, até o seu país como um todo, isso é uma eficiência muito maior do que um ambiente externo de uma empresa que não tenha uma propriedade local de conhecer tudo. Eu acho que o único jeito seria isso... você fatiar, você falar: "olha, eu vou dividir em alguns grupos de países e tais países podem conseguir ter algo diferente, ou ter algo melhor do que o próprio GOOGLE". Não tem muita saída não Rodrigo (rsrsrs). Agora, a gente não pode falar "tão mal" também, ou com interesse de acabar com todo serviço do GOOGLE. O Google tem coisas muito boas, ele ajuda demais, realmente deu um empurrão muito grande na informação. Então hoje a informação se ela for muito bem digerida por quem é autodidata, ou por quem gosta de ler, quem gosta de coletar dados, tal... ela acaba tornando-se conhecimento.
Então, por esse lado a gente tem que agradecer muito. Muita gente hoje tem parte do conhecimento por que adquiriu informação pela Internet. Não tem como não dizer isso, negar isso.

Rodrigo: Então tá bom Eduardo, eu lhe agradeço, a idéia era basicamente essa.

Favaretto: Ótimo.

Rodrigo: Eu queria saber um pouco de você... eu li algo, um artigo se não me engano, seu, que você falava sobre... das plataformas móveis e eu achei muito interessante... porque a tendência realmente é essa né? Surgirem mais serviços oferecendo informações né?

Favaretto: É... então, a informação até então, se a gente pensar na época do CADÊ ou até alguns anos anteriores, sei lá, imagina 2003, 2004, você praticamente achava documento, achava texto. De lá pra cá, o conteúdo multimídia... imagem, fotos, figuras, vídeos, apresentações, que eu estava comentando do PowerPoint, você pegar documentos em PDF, livros até mesmo... passaram a exigir muito mais de um buscador. Então, hoje o repositório de dados para você abranger é muito maior. Então, ainda assim, quando você pensar... a gente ta começando a migrar pra os Smartphones, pros celulares que são "inteligentes", conectados a Internet... imagina cidades inteiras com a disponibilidade de rede WiFi gratuita, até mesmo.
Então se você está com celular desses, você se conecta na Web, você está com a Web móvel na mão. Então, pra isso você identificar um mapa, achar um local, identificar na circunvizinhança ou nos arredores, determinadas lojas de produtos que você tá precisando ou restaurante ou até mesmo casa de show, locais que você queira encontrar seus amigos... Então já tem como você associar uma coisa na outra. Então, você tem seus amigos cadastrados num determinado serviço... aí você posiciona onde você está e pede pro sistema identificar quais os seus amigos que estão por perto . Então, este tipo de facilidade também, atrelado aos sistemas de buscas... eles vão trazer muita inovação assim, prática e útil pra vida das pessoas.

Rodrigo: Essa é a tendência né Eduardo?

Favaretto: Sem dúvida. A Web Móvel... não tem como fugir, se você pensar em termos de número de usuários... hoje o Brasil já tem estatísticas que falam em torno 60 milhões de usuários de Internet no próprio computador... ou que acessa de qualquer lugar, tanto de casa, quanto de trabalho, na escola e tal. E se você olhar o número de celulares ou o número de aparelhos móveis, passam de 130 milhões já. Então, você tem mais gente com aparelho móvel do que computador, em teoria. Isso no mundo a situação é similar. Você tem 1 milhão e 700 milhões de usuários que acessam a Internet (via computador)... você deve ter no mínimo o dobro disso de usuários de celulares. Então, no mínimo entre 3 a 4 bilhões de aparelhos celulares no mundo. Esta é uma questão de facilidade. E esse celular pra você hoje ele é, sua agenda, ele é a tua câmera fotográfica (rsrsrs), e a partir do momento que integrar sistema de busca com localização, mapas, tal, então sem duvida vai ser um aparelho que você vai usar muito. Ao meu entender, até mais que seu próprio computador.

Rodrigo: Então tá bom Eduardo, eu lhe agradeço bastante.

Favaretto: Ok Rodrigo, eu agradeço também.
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