por Eduardo Favaretto*
O avanço tecnológico do século XXI
tem encurtado distâncias, aproximando nações e, de certa forma,
tornou menor o nosso planeta. O Brasil, desde seu descobrimento,
esteve na dependência do capital econômico dos países mais
desenvolvidos.

Queremos ser os primeiros no futebol e em outros esportes, queremos
ser o “país do Carnaval”, das belas mulheres e dos craques, mas
nossos indicadores nos mostram uma triste realidade, somos o país do
desperdício: de recursos financeiros e de capital intelectual.
Faltam-nos investidores que realmente acreditem no potencial
brasileiro.
É bem sabido que o capital intelectual, apesar de sua relação de
interdependência, supera em muito o capital econômico. Todo
conhecimento adquirido e toda captação de informações, seja por meio
de estudos ou pela observação, para tornar-se vantagem competitiva,
precisa ser transformado por meio de nossas habilidades pessoais em
gerador de bens e serviços, diferentes e inovadores, capazes de
trazer benefícios reais à sociedade.
Quando às crescentes exigências do mundo globalizado requerem um
novo tipo de raciocínio lógico para gerar vantagens competitivas,
pensar globalmente e agir localmente já não fazem tanto sentido.
Além de pensar, observar e analisar o mundo como um todo, nós,
brasileiros, temos que colocar de lado nossos pudores
terceiro-mundistas e inovar. Passar a realizar projetos para o mundo
inteiro. Temos competência e qualidade para isso, basta confiarmos
em nosso empreendedorismo e nos empenharmos na solução dos desafios
de nosso dia-a-dia, sem deixar-se abater pelo tão conhecido “custo
Brasil”.
É fato que todo jovem brasileiro sonha, ao terminar seus estudos,
conquistar um bom emprego numa empresa multinacional, enquanto todo
jovem americano sonha fundar uma empresa multinacional. Será que
deveremos concordar para sempre com tal afirmação?
A cada ano, formamos centenas de doutores nas universidades e temos
ajudado a carimbar seus passaportes em busca de oportunidades no
estrangeiro. Por que não reter esse capital intelectual dentro de
casa? Não basta ter conhecimento se não soubermos como usá-lo. Temos
que entender o capital intelectual como a mais nova fonte de
recursos do Brasil.
Com o mercado global cada vez mais exigente, companhias do mundo
todo vêm sentindo a necessidade de investir em capital humano
qualificado, acrescentando valor ao conhecimento para moldar um
perfil globalizado que atenda além de suas fronteiras.
Ao Brasil, no entanto, faltam três fatores fundamentais: valorizar
mais o próprio capital intelectual, ver-se inserido na realidade
concreta da globalização e investir mais em novos empreendimentos,
assim como fazem os Estados Unidos aos seus compatriotas americanos.
Aí reside, na postura dos investidores, a diferença entre ser uma
potência mundial ou ser eternamente o "país do futuro".
A valorização de nosso capital humano faz parte de um processo
cultural necessário e de fundamental importância para participarmos
da competitividade global. Temos condições, hoje, de nos tornarmos
um centro de excelência mundial.
Precisamos urgentemente superar o medo de ousar e reconhecer uma
chance de sucesso quando estivermos de cara com ela. Estamos num
mercado de acelerada transformação, temos que acreditar mais nos
nossos "santos de casa", ou seja, em nosso próprio capital
intelectual nacional, para assim conseguirmos realizar “muitos
milagres”.
* Eduardo Favaretto,
empresário, fundador do iBUSCAS, é especialista em
Tecnologia da Informação e Internet. Saiba
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