Entrevista de Eduardo Favaretto para a INFO Online em 17/11/2008
  

 Tecnologia já permite eleições pela web
publicado em: 18/11/2008 às 15h45

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O jornalista Felipe Zmoginski, de INFO Online, entrevistou em 17/11/2008 o empreendedor, Eduardo Favaretto, especialista em Internet, fundador do iBUSCAS Internet Buscas Company, a respeito da viabilidade e uso de eleições eletrônicas via Internet.
Favaretto:  Eduardo.

INFO Online:
Oi Eduardo, Felipe.

Favaretto: Oi Felipe, como vai?

INFO Online: Bem, trabalho no site da Revista INFO da Editora Abril.

Favaretto:  Perfeito.

INFO Online: Recebi um material aqui, com texto falando sobre Eleição Eletrônica por Internet, e eu queria conversar com você para entender um pouco melhor como funciona o sistema que hoje permitem eleição pela Internet. Você trabalha com alguns deles não? O iBUSCAS?

Favaretto: Isso, na realidade, nós do iBUSCAS desenvolvemos uma metodologia de gestão de eleições eletrônicas pela Internet.

INFO Online: Certo, metodologia de gestão. Ela já vem sendo usada por...

Favaretto: É, nós já temos em prática desde 2006 essa gestão divulgada no mercado. Na realidade se você acessar um endereço nosso, chamado www.votoeletronico.com, você tem ali as informações gerais de como é lidado esse tipo de gestão.

INFO Online: Mas aí, ele é usado pra que tipo de eleição, assim? Eleição de chapa de sindicato?

Favaretto: É, nós já tivemos alguns cases que vão desde uma empresa pública, que queria eleger um grupo de uma comissão científica, até uma instituição financeira que queria eleger os seus membros de conselho deliberativo e conselho fiscal. E no caso, um exemplo recente, o próprio PMI São Paulo. Nessa eleição 2008 eles fizeram o procedimento totalmente eletrônico, que é o Project Management Institute.

INFO Online: Então eleição eletrônica.

Favaretto: Isso, 100% eletrônica nesse caso deles.

INFO Online:  Numa eleição eletrônica, como que os eleitores votam? Eles tem um login e entram lá em uma página específica?

Favaretto:  Na realidade o que ocorre Felipe, você sempre tem um grupo que precisa estar previamente habilitado como eleitor, para ter acesso ao sistema de votação. Então, em teoria, você tem um banco de dados, esse banco de dados recebe um login e uma senha pra cada eleitor e esses eleitores são convocados pelo meio eletrônico, através de e-mail, com uma carta ou um documento chamando para a eleição eletrônica durante um determinado período de dias e de horas.

INFO Online: Eu suponho que a principal pergunta que te fazem é se esse sistema é seguro?

Favaretto:  Esse sistema é seguro, é como qualquer aplicação que fica na Web, que é bem estruturada, bem monitorada e bem desenvolvida. Então, em termos de procedimentos de testes de invasão, de validação de segurança, a gente utiliza várias metodologias, que nos garantem quanto a segurança. Inclusive todo o banco de dados fica em Data Center com acesso restrito e assim vai. Então, tem diversos níveis, layers, como a gente chama, pra chegar até a informação propriamente dita. E principalmente, o que é muito considerado entre as entidades que nos consultam é a privacidade desses dados, a questão do voto secreto até mesmo. Então, pelo método que nós desenvolvemos é possível garantir que o voto é secreto inclusive entre membros da nossa equipe mesmo. De pessoas técnicas que tem acesso aos dados, eles não conseguem fazer, como a gente chama no linguajar técnico, engenharia reversa ou uma codificação reversa pra descobrir que eleitor votou em quem. Isso é possível ser bloqueado.

INFO Online: E os benefícios desse tipo de tecnologia são... praticidade, acaba com o deslocamento?

Favaretto: Existem vários pontos importantes tanto para o eleitor quanto pra entidade, que são abordados aí como vantagens ou benefícios. Por exemplo, para a entidade num procedimento 100% eletrônico, ela tem uma redução de custos sensível, principalmente se ela tem um número grande de eleitores, ela não precisa convocar esses eleitores através de carta ou um documento que vá necessitar uma postagem ou um custo unitário por etiqueta, vamos chamar assim.
Através de um e-mail, que é em teoria custo zero, ela convoca os eleitores. Pelo outro lado do eleitor, se ele precisa deslocar-se para uma sala de votação, pra um ambiente de votação, nos tempos atuais qualquer deslocamento é muito difícil, principalmente acaba sendo custoso, tanto num valor direto quanto indireto.
Então, nessa hora em alguns minutos você na sua sala, no seu escritório ou em qualquer local na sua casa, você pode estar votando, realizando ali o voto, sem ter que se preocupar com este deslocamento.

INFO Online:  Eduardo, você imagina o sistema de votação sendo usado em eleições públicas? Como essas que o TSE organiza?

Favaretto:  Felipe sem dúvida que é possível e é viável, agora existem no Brasil uma imensa gama de situações, como por exemplo, se você está em São Paulo você tem facilidade, no estado de SP, facilidade de comunicação. Você pode ir num cyber café, você pode ir na casa do vizinho e votar pela Internet. Agora, se você imagina uma cidade no interior do Amazonas, por exemplo, as facilidades não serão as mesmas, tá. Mas nada impede que hoje as escolas que recebem as urnas físicas do TSE e as pessoas deslocam-se até lá para usar este equipamento, possam estar deslocando-se para usar um computador ligado na Internet.
 
Agora daí para a frente existe a situação técnica como um todo, para integrar todos esses equipamentos em termos de uma mesma metodologia que eles já utilizam, de distribuição, coordenação de equipe, enfim, é diferente você pensar numa empresa, que você está lá numa sala com um grupo que é a comissão eleitoral, você resolve e um País como um todo.
Mas, aprimorando alguns quesitos que eles já utilizam hoje, é perfeitamente possível você criar a eleição do País pela Internet. Se a gente já distribui atualmente a declaração de imposto de renda pela Internet, por que não também votar pela Internet? Inclusive a gente teve [recebeu] vários e-mails a respeito disso durante as últimas eleições. As pessoas entravam no nosso endereço, no votoeletronico.com e acreditavam que até poderiam votar ou justificar pela Internet. Inclusive a gente recebeu em torno assim de 5 e-mails por dia, na semana da eleição, do exterior até mesmo.

INFO Online:  É, então quer dizer, a tecnologia até permitiria isso também né? Que brasileiros, que aplicando as eleições gerais assim, os brasileiros fora do País pudessem votar on line né.

Favaretto:  Sim, facilitaria diversos quesitos até mesmo a questão da mudança de domicílio eleitoral. Então, se você mudou recentemente de uma cidade para outra e não chegou a transferir o seu título, você pode ter essa facilidade de estar exercendo o seu direito de voto independente de estar já morando num outro endereço.

INFO Online: Eu aqui na minha cabeça imagino que o obstáculo seja... a questão da "compra" de voto, porque se eu voto no meu computador ou em qualquer computador o cara que "comprou" meu voto ele pode ficar atrás de mim aqui para ter a garantia de que eu estou votando em quem ele pediu, né.

Favaretto:  É, eu iria reforçar essa situação. Quando a gente fala de um sistema dentro de uma entidade é uma coisa. Você tem já um grupo seleto ali, em termos de regras já está sabendo como funciona, ele quer fazer o voto individual. Quando você fala num país, as dimensões dessas questões aumentam absurdamente e principalmente um problema, que é o mais crítico, que é a autenticidade de quem está votando. Pra você garantir quem está realizando o voto, quem está votando propriamente dito, colocando informação ali na Internet é a própria pessoa que recebeu o acesso. Então, quando a gente fala: olha tem um cadastro, esse cadastro está limitado a X pessoas, eu estou mandando login e senha, mesmo assim você pode ter a secretária do diretor que recebeu a senha votando por ele. Mas, ele orientou a secretária a votar no candidato específico, um nome que ele confia, etc. Nesses casos de eleições de entidades.

Agora como fazer isso na questão Brasil. Na realidade, muitas pessoas me perguntam e isso não é o foco principal da minha palestra nesse 8º seminário do PMI, mas eu tenho alguma opinião a respeito. Você pode utilizar desde a questão do eCPF, que é a certificação digital na mão de cada um. Então, se você apresenta o seu título numa sessão eleitoral, naquela hora você é comprovado, pelas pessoas que estão na mesa, que você é você mesmo, pelos mesários, ali pelo pessoal da administração da sala, quando você tem a certificação digital, esse eCPF, na sua casa ou num cyber café, ou até mesmo nessas urnas públicas, vamos chamar assim, você confirma que é você mesmo.
Então, uma situação não muda a outra, mesmo que eu me garanta através do eCPF, eu posso ter recebido já instrução pra votar em determinado candidato. Aí vai da região que tenha a sua forma de conduzir. Existiu, me parece algum tipo de comentário até durante a eleição que teríamos algumas urnas com biometria, que é o uso da própria informação digital da nossa mão. Não sei se isso concretizou-se, eu acabei não...

INFO Online: Teve alguns municípios que utilizaram em caráter de teste três cidades, Santa Catarina...

Favaretto: É, essa informação não confirmei mas, eu soube também que existia uma questão de custo envolvida que não era muito pequeno, muito baixo pra poder multiplicar isso na ordem de grandeza dos outros municípios, como um todo no país. Então, assim soluções tecnológicas já existem. A questão é acertar esses demais quesitos complementares da eleição, tá.

INFO Online: Entendi, quer dizer eventualmente com o amadurecimento da tecnologia, pode pintar um clima mais favorável para...

Favaretto:  Sem dúvida, principalmente com o eCPF.

INFO Online: É, porque é uma decisão política né? Esse tipo de...

Favaretto:  É, você muda um pouco alguns parâmetros com relação a equipamentos, como isso tem que ser organizado. Mas assim, simplesmente você transfere em parte do hardware existente a necessidade de você ter um computador similar ao hardware existente, que esteja conectado na Internet. Ou até mesmo, as máquinas que atualmente trabalham com disquetes, passam a estar ligadas na Internet, fazendo esse voto pela Internet. Enfim, existe aí adaptações. Então vão desde a questão técnica, dessa questão operacional mesmo, do conjunto de tarefas que regem uma eleição, que não é simples, é um conjunto bem extenso e até mesmo o armazenamento disso on-line a parte de comunicação, de telecomunicações naquele instante que você está falando com o centro financeiro, como aqui, na Av. Paulista, São Paulo, ou você estar falando com um município que só tem rio em volta, no meio do Amazonas, ali no meio da floresta. Então fica bem distinto cada um desses pontos.

INFO Online:  Tá legal Eduardo, muito obrigado.

Favaretto:  Ok Felipe. Eu que agradeço.

 


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