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21/09/2006
O Voto, a Cidadania e a Internet
por
Eduardo Favaretto*
This article is available only in Portuguese language
Em pleno ano eleitoral, no qual comemoramos dez anos do
procedimento por meio de urnas eletrônicas e onze anos do uso da
Internet comercial. Quase 126 milhões de brasileiros vão
obrigatoriamente dirigir-se às urnas para escolher seus governantes
nas esferas estaduais e federais.
A votação eletrônica eliminou a distribuição de cédulas em papel e a
lentidão na apuração dos resultados, aumentando a eficiência do
processo com uma melhor garantia contra possíveis fraudes.
E mesmo com essa mudança tão gritante, há algumas pessoas que
relutam em votar: segundo pesquisa realizada pelo IBOPE, no mês de
agosto, com 2000 eleitores, 57% afirmaram que não votariam se não
houvesse a obrigatoriedade do voto.
Deixando cada motivo pessoal de lado, tais pessoas não fariam o uso
do direito de ser cidadão brasileiro, e exprimir a opinião sobre
qual é o candidato que apresente a melhor proposta para dirigir nos
próximos quatro anos o nosso Estado e País, influenciando nos rumos
de nossas vidas e no dia-a-dia das empresas onde trabalhamos.
A Internet comercial nos proporcionou o acesso às informações em
tempo real, tornando-nos verdadeiros consumidores de tudo aquilo que
há disponível: serviços bancários, comércio eletrônico,
supermercados, filmes, livros, jornais atualizados e músicas, que
contribuem para a nossa cultura e são partes integrantes do nosso
cotidiano.
Além disso, este é o ano das eleições na mídia Internet. Conforme
dados do IBOPE do mês de agosto de 2006, dos 126 milhões de
eleitores, cerca de 32 milhões usam a Internet, ou seja, 25% do
total de eleitores brasileiros podem buscar informações sobre as
eleições.
Quanto aos candidatos, devido à nova lei que proíbe os “showmícios”,
a utilização de outdoors, a distribuição de camisetas, dentre
outros, a Internet é a mídia fortemente explorada. Não lhes restaram
muitas alternativas, senão aderir à mídia que agora se tornou à bola
da vez.
Há muitos recursos a serem utilizados - sites, blogs, e-mail
marketing e canais para discussão - para promover a interatividade
com o eleitor e a conquista dos votos de indecisos. Pela Internet,
os brasileiros podem acompanhar as pesquisas, ler sobre os
candidatos, verificar suas declarações de bens e consultar outras
informações disponíveis.
Este é o papel da mídia Internet hoje: manter-nos atualizados e
tornar-nos integrados com o que ocorre em nosso meio. E, sem dúvida,
com este modelo de sociedade voltada para a tecnologia, no futuro,
já poderemos utilizar a própria Internet também para votar.
Parece um cenário futurista, mas não é!
Partindo do pressuposto que já temos 25% do eleitorado com o acesso
a Internet, somada à pequena amostra representada pelos eleitores,
que só votarão devido à obrigatoriedade, talvez se já houvesse o
acesso ao voto pela Web estes poderiam votar de suas próprias casas
ou escritórios, assim como já fazemos na entrega de nossas
declarações do Imposto de Renda.
O voto justificado também deixaria de existir – qualquer cybercafe
no mundo seria uma máquina de votação. Poderíamos exercer o nosso
direito de cidadão e ainda ter o voto impresso na mão, da mesma
forma que recebemos nosso comprovante de entrega da declaração de
Imposto de Renda.
Os idosos, analfabetos, comunidades indígenas e comunidades
carentes, sem acesso a facilidade do computador pessoal conectado a
Internet, poderiam deslocar-se para centros públicos de acesso a
votação (similarmente as seções eleitorais de hoje), onde
microcomputadores conectados à Internet fariam o papel das urnas
eletrônicas.
A sociedade já está condicionada a contínua modernização tecnológica
e invariavelmente, este cenário é promissor. A informação
transmitida por bits e bytes, no ritmo que já está acontecendo, nada
nos impedirá de atingir esse estágio.
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